17 de setembro de 2017

PRÓLOGO

Melhorar a qualidade de vida ou o bem-estar. É o que motiva grande parte dos praticantes de Atividades Físicas e Esportivas (AFEs) no Brasil. A importância das AFEs para a melhoria da vida das pessoas e para o seu desenvolvimento é, em geral, reconhecida pela população brasileira. No entanto, e atualmente, a liberdade de escolha sobre a prática encontra-se limitada: não há igualdade nas oportunidades de acesso para os diversos grupos sociais. Mesmo reconhecendo essa potencialidade das AFEs, muitas pessoas continuam a experimentá-las de maneiras muito distintas e desiguais. As AFEs têm se constituído como um vetor de desenvolvimento humano para quem? Em que cenários elas não se traduzem em uma real expansão da liberdade das pessoas?

Com o intuito de problematizar e evidenciar essas e outras questões centrais ao desenvolvimento via AFEs no Brasil, o Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (PNUD) vem construindo desde 2015 este Relatório do Desenvolvimento Humano no Brasil sobre as AFEs, que traz um debate sério sobre o seu lugar hoje no país e sobre onde se quer chegar num futuro próximo. Com este trabalho selamos um ciclo de ações engendradas pelo PNUD, que traduziram para a vida das pessoas os benefícios concretos do legado da década do esporte.

Dentre essas ações destacam-se os Jogos Mundiais dos Povos Indígenas, de 2015, que valorizaram o aspecto cultural, identitário e histórico do esporte de povos tradicionais; o Premio Mais Movimento, que procurou dar visibilidade e reconhecer práticas inovadoras e com impacto no campo da atividade física no Brasil, além de estimular e disseminar ações no campo da atividade física que criem experiências positivas para crianças desde cedo e/ou integrem a atividade física ao dia a dia das pessoas; e o Projeto e a Pesquisa das Escolas Ativas, que vêm advogando para tornar os ambientes escolares mais ativos, melhorando não só o rendimento curricular dos alunos, mas impulsionando o desenvolvimento de uma série de dimensões e de habilidades já existentes nas crianças e adolescentes.

Todas as ações programáticas do PNUD visam promover o desenvolvimento, reduzindo a desigualdade – com destaque para a de gênero e a de raça –, contribuindo para a erradicação da pobreza, garantindo a igualdade, a dignidade, vidas prósperas e plenas e sociedades justas e inclusivas. Com os projetos sobre AFES não poderia ser diferente. Daí a decisão de manter e ampliar esse campo programático dentre os objetivos de nosso escritório para o ciclo de 2017 a 2021.

Acreditamos que o Relatório “Movimento é Vida” tem o potencial de contribuir para este desenvolvimento universal e inclusivo, por meio das recomendações apresentadas no campo da educação, saúde e gestão pública, capazes de subsidiar a elaboração de uma nova geração de políticas públicas bem como de iniciativas privadas na área. A força dessas recomendações está justamente em sua construção democrática e participativa. Não por acaso, muitas vozes e pontos de vista foram ouvidos e verdadeiramente considerados, e demandas muito concretas foram contempladas.

As sólidas parcerias firmadas ao longo do processo de elaboração do Relatório, com o setor público, setor privado, terceiro setor e academia, saem com a tarefa de direcionar seus esforços, projetos e ações para a concretização dessa nova visão. O PNUD também atuará no mesmo sentido e espera seguir colaborando para promover as AFEs como um componente essencial para melhorar os índices de desenvolvimento humano sustentável no país, especialmente junto aos grupos mais vulneráveis, já que ninguém pode ser deixado para trás.