17 de setembro de 2017

APRESENTAÇÃO

No âmbito da Agenda 2030 para o Desenvolvimento Sustentável o esporte é reconhecido como um facilitador importante do desenvolvimento e da paz. Sua promoção favorece a tolerância e o respeito entre as pessoas, empoderando especialmente as mulheres, os jovens, os indivíduos e as comunidades. O esporte tem muito a colaborar com os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável como um todo, e em particular com aqueles relacionados com a saúde, a educação e a inclusão social.

Em consonância com esse reconhecimento, a Assembleia Geral das Nações Unidas, em 7 de Dezembro de 2016, adotou uma resolução em sua 71ª Sessão sobre o esporte como meio de promoção da educação, saúde, desenvolvimento e paz. De acordo com esta resolução, os Estados- membros, as entidades do sistema da Organização das Nações Unidas (ONU), as federações e associações esportivas, os atletas, a mídia, a sociedade civil, a academia e o setor privado devem colaborar para promover maior conscientização e ação de modo a integrar a agenda do esporte para o desenvolvimento e a paz com a agenda de desenvolvimento dos países.

Quatro princípios são lembrados para fazer com que essa integração se torne concreta: a) ampliar a conscientização das pessoas, definir uma visão comum e um conjunto de prioridades; b) apoiar a integração do esporte nas políticas de crescimento e bem estar dos países; c) promover mecanismos inovadores de mobilização de recursos financeiros; e d) facilitar a construção de instrumentos de monitoramento e avaliação das iniciativas adotadas, incluindo definição de indicadores de acompanhamento e desagregação de dados por renda, sexo, idade, raça, dentre outros. Alinhado com esses propósitos, o escritório do PNUD no Brasil traz ao púbico este Relatório de Desenvolvimento Humano sobre Atividades Físicas e Esportivas (AFEs), o primeiro em nível mundial sobre o tema. Uma vez terminada a década do esporte no Brasil (que teve início em 2007 com os XV Jogos Pan-Americanos, no Rio de Janeiro, e teve marcos importantes como a Copa do Mundo FIFA de 2014, os Jogos Mundiais Indígenas 2015 e os Jogos Rio 2016), é oportuno afirmar que a pauta das atividades físicas e esportivas é permanente e seguirá cobrando a atenção ininterrupta de todos os responsáveis por tornar possível a prática de AFEs junto à população.

Dentre as mensagens principais do relatório está o entendimento de que praticar AFEs é um direito das pessoas (não um dever) e de que as AFEs estão em sintonia com o desenvolvimento humano quando sua realização tem por base uma decisão livre e consciente, não limitada por falta de tempo, de recursos ou de oportunidades. O quadro de iniquidade no acesso às AFEs também é abordado, fazendo um chamado para que as políticas públicas e iniciativas na área ampliem as oportunidades para as mulheres, os idosos, as pessoas em situação de vulnerabilidade social, os negros, as pessoas com deficiência e com baixa escolaridade.

Ao refletir sobre a situação das AFEs no país, o relatório ainda aponta caminhos e faz recomendações concretas no âmbito da promoção da saúde, da transformação das escolas no sentido de que se tornem mais ativas, bem como no contexto do sistema que organiza as atividades esportivas no país. Nesse sentido, advoga por uma nova visão para o Sistema Nacional de Esportes que, além de promover o esporte de alto rendimento (onde hoje estão concentrados os recursos na área), fomente as AFEs para todas as pessoas.

Esperamos que este documento contribua verdadeiramente para que a adesão às atividades físicas e esportivas aumente e se qualifique no país, de modo a oportunizar patamares mais elevados de desenvolvimento humano para todas e todos.