1 de setembro de 2017

Resumo Executivo

5. As escolas precisam transformar-se em Escolas Ativas, para que os educandos tenham experiências significativas e prazerosas, capazes de fazer com que os mesmos levem as AFEs para e por toda a sua vida.

O espaço escolar tem papel central na construção dos conhecimentos e hábitos da população no que diz respeito às AFEs. Por isso, só será possível aumentar e qualificar o envolvimento da população com as AFEs se houver uma abordagem diferenciada nas escolas. O relatório apresenta uma proposta de Escola Ativa, baseada na problematização da distribuição do tempo na escola, da arquitetura e do mobiliário dos espaços escolares, das regras de conduta da escola e da relevância das AFEs no desenvolvimento humano dos estudantes.

A proposição da Escola Ativa, defendida na perspectiva do desenvolvimento humano, trata de fazer da escola um local em que o mover-se seja compreendido como uma capacidade humana valorosa na vida das pessoas e, por isso, deve se concretizar como uma oportunidade central a ser garantida na vida dentro da escola. Para isso, deve permear todas as suas rotinas, tempos e espaços, para que as pessoas tenham liberdade de serem ativas na direção de seu pleno desenvolvimento humano.

Buscando alcançar a situação concreta do sistema escolar brasileiro, o relatório propõe uma Escala de Escola Ativa (EEA) para mensurar a qualidade de “ser ativa” das escolas. A escala varia do Nível Insuficiente, que caracteriza escolas com condições bastante precárias para a promoção das AFEs, até o Nível Pleno, que caracteriza escolas com uma cultura e infraestrutura instituída de valorização e promoção das AFEs. Entre os diversos resultados demonstrados pela escala, e também pela análise de pesquisas nacionais relacionadas ao tema, destaca-se que somente 0,55% das escolas brasileiras podem ser consideradas Escolas Ativas (estão no Nível Pleno e Avançado), enquanto 38,56% das escolas estão no Nível Insuficiente. 

Para o enfrentamento dessa situação, o relatório ressalta: 1) há uma condição vital latente, a de que as crianças e jovens são ativos, o que é um ponto de partida muito vantajoso ao se pensar em como oportunizar mais movimento nas escolas; e 2) muitas adaptações podem ser feitas na arquitetura escolar de modo a impactar a ampliação das possibilidades de movimento.

Falar de Escolas Ativas não implica em tratar somente de aspectos normativos, de mudança de leis e regras, ou ainda somente da Educação Física escolar. Para que se construa uma Escola Ativa é necessário advogar em favor das AFEs para toda a comunidade escolar (gestores, professores, funcionários, estudantes, famílias), na escola e fora dela, tendo como pressupostos básicos:

  • Fomentar e celebrar o mover-se na escola como expressão das individualidades e construção das relações sociais.
  • Considerar as necessidades diárias de atividade física preconizadas para crianças e jovens, diante das evidências da sua relação com a saúde, bem-estar e desenvolvimento.
  • Promover a experiência e a aprendizagem de e sobre as AFEs que permitam a autonomia e liberdade da comunidade escolar quanto à atuação individual e social em relação às práticas corporais na sua vida e na sua comunidade.
  • Garantir a participação democrática da comunidade escolar no esforço para tornar a escola mais ativa.